Monday, December 21, 2009

retrospectiva 2009

este ano eu mudei de emprego e de casas (notar o plural) e o parede mudou também: ficou bilingue e sai quase sempre as segundas-feiras.


enquanto saio de circulação para recarregar as baterias deixo aqui minha seleção de 2009 e uma imagem que para mim resume o que foi esse ano de crise: o Brasil como jogador de pes, e a mesa em Copenhagen juntando Lula, Obama, Wen Jiabao, e Manmohan Singh diz tudo. Se existe um grupo que vai se tornar cada vez mais hegemônico caso continuem trabalhando juntos é esse aí.


2009 pra mim foi o ano em que o Brasil entrou no jogo pra valer.


p.s. em 23 de dezembro, minha análise corroborada aqui e aqui



while this blogger will take 2-weeks of much needed vacation I leave a selection of posts here that summarize 2009, the year in which we changed jobs, cities and the format of this blog.


but in this year of crisis in which so many things were unresolved I want to call attention to this image because 2009 was the year in which Brazil became a de facto global player.


outros fatos marcantes discutidos aqui no parede

other significant facts discussed here


sustentabilidade /sustainability


olimpíadas de 2016 no Rio


desigualdade de genero / gender inequality

Oscar Niemeyer destruindo suas obras / destroying his own works


goodbye ann arbor


muros nas favelas do Rio / walls around Rio's favelas

Monday, December 14, 2009

Serra, as enchentes e a responsabilidade de cada um / urban flooding and everybody's resposibility

nunca achei que ia escrever isso mas Jose Serra tem razão, ainda que parcialmente, quando diz que a população tem uma parcela de culpa pelas enchentes. Só que o problema maior não é o lixo nos córregos, ou se fosse o Tietê não teria trasbordado (ou alguém acredita que é possível atravessar 8 pistas de carros a 90km/h para jogar fora um saco de lixo?)


a culpa de cada um de nós está no quintal. No meu, no seu, no de todo mundo. Na medida em que impermeabilizamos toda (ou quase toda) a area das nossas propriedades urbanas, estamos lançando uma quantidade enorme de água no sistema público que invariavelmente descarrega no Tietê.


vejamos os números: uma chuva como a do dia 4 de dezembro jogou 77mm de água sobre toda a cidade. Isso significa 23 mil litros por lote de 300m2 ou 770 mil litros por quarteirão de 1 hectare (10.000m2). Para segurar essa água toda cada quarteirão da cidade precisaria de um piscinão de 770m3 ou um lote inteiro de 12 x 30 m por 2 m de profundidade. Mais pode ser lido aqui.


em resumo, Serra tem razão ao apontar a responsabilidade individual mas erra grosseiramente ao apontar para o lixo nos córregos, culpando apenas as populações mais pobres que vivem nas beiras dos cursos d’água, quando a culpa é de todos, principalmente dos que pavimentaram a totalidade de seus quintais.



I never thought I would write this but Jose Serra, governor of São Paulo has some reason when he says that the population is partially to blame by urban flooding. But he is absolutely wrong on blaming only garbage dumped into streams when the problem is low permeability because we pave everything, sending enormous amounts of water into the public system.


let’s see the numbers: when 77 mm of rain falls on the city (as happened on December 4th) we get 23.000 liters for an average lot of 300m2 or 770.000 liters for a regular block of 1 hectare. To hold all that water each block of the city would need a reservoir of 770m3 or an entire lot of 30 x 12 m x 2m deep. More here.


in summary, Serra is correct to point towards individual responsibility but comes, again, quite elitist when he blames only the poor who live by the waterways when the responsibility falls on everybody, mainly those who paved the totality of property.

Monday, December 7, 2009

Curitiba fica longe de Coritiba?



a selvageria ontem em Curitiba fica ainda mais horrorosa quando se pensa na cidade “verde”, civilizada e planejada de Lerner, tão celebrada no Paraná e no exterior. Como na música de Caetano, alguma coisa está fora da ordem. Hoje apareceram nos jornais e nos blogs vários relatos de que a relação entre a elite paranaense e a população não vai muito bem (aqui). Curitiba revelou ontem uma fúria inesperada, as imagens tem algo de primitivo combinado com um discurso fascista.


enquanto isso o Rio de Janeiro explodia numa alegria tripla (quádrupla se contarmos a volta do Vasco). Parabéns ao Rio de todas as cores, torço para que os cariocas aproveitem esse momento único de alegria para retomar pouco a pouco sua cidade.


e torço também para que os críticos da autocracia e do autoritarismo curitibano sejam ouvidos. Os hooligans do Coritiba podem ter prestado, de forma criminosa, um favor a cidade.

Tuesday, December 1, 2009

Gyong-Gi provincial government bldg competition

voltei da Coréia do Sul com o concurso na cabeça, claro, e escrevi três posts diferentes que foram rejeitados por diversas razões. Acabei resolvendo que seria melhor me expressar pelo desenho, assim evito indiscrições ou deslumbramentos de qualquer natureza.


as imagens abaixo (contexto + três finalistas: Rogers, Lee, Park) dão um resumo da minha leitura e indicam a direção de algumas das principais conversas entre os membros do júri. O resultado final pode ser lido aqui e não cabe a mim neste momento esmiuçar nenhum dos argumentos mas sim registrar a intensidade e a pluralidade das propostas e dos debates.


o resto fica por conta da imaginação de vocês até que possamos conversar a respeito numa mesa de bar.



o contexto / the site




Seung Hong Park




Richard Rogers




Sang Leem Lee


I came back from Korea thinking about the competition and wrote three different posts, all rejected. Instead I decided to use my analytical drawings to avoid indiscretions or infatuations of any nature.


the images above (site + three finalists: Rogers, Lee, Park ) summarize my analysis and indicate the route of some juri conversations. The final results can be read here and I think I should not elaborate any of the arguments but indeed register the intensity and the plurality of the proposals and the subsequent debates.


everything else belongs to your imagination until we can discuss it personally over good food and drinks.

Monday, November 23, 2009

do outro lado do mundo / from the other side of the planet

como bem me lembrou Jaepil Choi, a Coréia fica exatamente do outro lado do mundo em relação ao Brasil, ou seja, estou literalmente no ponto mais distante do planeta e fico aqui até a quarta feira fazendo parte deste juri fantástico para escolher um entre estes arquitetos mais fantásticos ainda.


mas não posso deixar de anotar a expansão do curso d’água Cheonggye. Como já escrevi aqui há 3 anos, Cheonggye era mais um rio urbano canalizado e enterrado até que o atual presidente da Coréia do Sul, na época prefeito de Seoul resolveu quebrar uma via expressa elevada para abrir e recuperar o riozinho que agora é um parque linear, e cuja expansão a jusante é a manchete do jornal de hoje por aqui.


enquanto isso no México, na Inglaterra e no Brasil as manchetes são as enchentes causadas pelo péssimo tratamento dado às águas.


update nov 24: dois textos meus publicados esta semana na blogosfera, no blog do sarj e no arqbacana.




as reminded by Jaepil Choi South Korea is exactly opposite to Brazil, which means I could not be further away. Until Wednesday I am here as part of an amazing juri to chose one between those even more amazing architects.


what I can’t help but notice is the expansion of the Cheonggye stream. As I wrote here 3 years ago Cheonggye was a buried river when the current president of South Korea (at that time mayor of Seoul) decided to demolish an elevated highway to open and regenerate the small river which is now a linear park crossing the city. Its expansion is the main headline of the paper this morning.


meanwhile in Mexico, England or in Brazil the headlines are the flooding caused by mistreating urban waters

Monday, November 16, 2009

raquel rolnik

na mesma semana em que alunos brutamontes de uma universidade desastrada trouxeram a tona o direito das mulheres de fazer da vida delas o que bem entender, a colega juliana m. puxou minha orelha, e com razão.


depois de escrever 3 posts sobre a invisibilidade das mulheres arquitetas eu organizei uma exposição de arquitetura mineira na coréia e lá constavam apenas 2 moças entre 14 rapazes.


o problema é sério. O trabalho das mulheres tende a ser invisível e é preciso esforço para mudar esse quadro. No meu caso, deliberadamente tentei encontrar obras projetadas por mulheres em Minas e discutí várias vezes, comigo mesmo e com colegas, se cromossomos XX ou XY era critério válido para a seleção.


acho que dá pra concordar que da mesma forma que é absurdo excluir por causa do gênero também não se justifica escolher alguém pelo mesmo motivo apenas. Mas como nas boas políticas de inclusão, é importante estar atento para a questão, no nosso caso buscar dar visibilidade a mulheres arquitetas e seus trabalhos excepcionais.


então aqui vai minha contribuição nesse sentido. Não ví nada da grande mídia brasileira (o que comprova minha tese da invisibilidade) mas nas últimas semanas a Profa. Raquel Rolnik, da FAUUSP, esteve viajando pelos EUA como observadora da ONU, com a missão de entender o problema habitacional deste que é o país mais rico do planeta. As conclusões (bem como a hostilidade de parte da imprensa Americana) são estarrecedoras.


vale seguir aqui, aqui e aqui o fantastico trabalho da Profa. Rolnik que merece toda visibilidade possível.




in the same week when hooligans in a second-rate university in São Paulo brought to the forefront the old issue of women’s right to do whatever they want with their bodies my blog colleague Juliana M blasted me, and for a reason.


after writing 3 posts on the invisibility of women architects I organized an exhibition of Brazilian architecture in Korea with only 2 young women and 14 men consisted. The issue is serious to me and if the work of women tend to be invisible we need to make an extra effort to change this picture. In this case I deliberately tried to find exemplary designs by women architects of Minas Gerais and discussed with others if chromosomes XX or XY were valid criterion for the selection. I think we can agree that in the same way that is nonsense to exclude somebody because of gender it is also not the best idea to choose someone for gender reasons only.


but as in the best affirmative action polocies it is important to be aware of the issue, in our case to make visibility the fantastic work of many women architects.


so here is my contribution in this direction: the big Brazilian media did not report but in the last 3 weeks Prof. Raquel Rolnik from the University of São Paulo School of Architecture was travelling around the U.S.A. as observer to the UN, to report on the striking housing troubles of the richest society in our planet.


the conclusions (as well as the hostility of part of the American press) are scary.


one can check here, here and here the fantastic work of the Prof. Rolnik that deserves as much visibility as possible.

Monday, November 9, 2009

arquitetura mineira na Coréia do Sul


Fernando Maculan e Rafael Yanni, Beco São Vicente, aglomerado da Serra

esta semana em Daejeon na Coréia do Sul a novíssima arquitetura mineira está em exposição. Com curadoria minha e de Carlos Teixeira, a mostra inclui:

Arquitetos Associados - Carlos Alberto Maciel, Bruno Santa Cecília, André Prado, Alexandre Brasil e Paula Zasnicoff.
Horizontes - Marcelo Palhares, Gabriel Velloso e Luiz Felipe Farias
Carlos Teixeira
BCMF - Bruno Campos, Silvio Todeschi e Marcelo Fontes
Adriano Matos Correa
Paulo Waisberg e Clarissa Neves
Studio Toró - Fernando Lara
Humberto Hermeto
Fernando Maculan


this week we are exhibiting the newest architecture of Minas Gerais in Daejeon, South Korea. The show was curated by myself and Carlos Teixeira and includes the architects listed above.

Carlos Teixeira e grupo Armatrux, Invento para Leonardo, foto C. Teixeira.



Horizontes Arquitetura + Fernando Lara, Espaços residuais públicos na Pedreira Prado Lopes.